sábado, 9 de março de 2019

A HIPÓTESE DO PÊNDULO





Ao perturbar um pêndulo, o mesmo oscila de um lado para o outro, no entanto, depois de determinado período, há o repouso no centro, porque ali há o menor nível de energia. O universo foi constituído para se manter em equilíbrio entre seus sistemas de forças e as suas energias. No princípio, o primeiro Homem e a primeira Mulher eram livres e não precisavam escolher, não existia escolha, pois em tudo que faziam, faziam a vontade de Deus, já que eram livres Nele. Quando nossos primeiros pais decidem escolher, a escolha deslocou o pêndulo para um lado e desde o Colapso nós precisamos tomar escolhas. Houve nesse momento o certo e o errado, porque antes apenas existia a Verdade. Quando nós escolhemos partimos da premissa de que existe um “lado” e que cada escolha que fizemos elimina a outra, ou seja, cada escolha que fazemos é mutuamente exclusiva. Por exemplo, a Fé e a Razão, para muitos apenas a Fé (Fideístas) e para outros apenas a Razão (Racionalistas). Esse embate é facilmente explicado quando o observamos com a Hipótese do Pêndulo.

Nossa humanidade devido ao pecado original não sabe mais escolher, no entanto precisa escolher o tempo todo, há algo dentro de nós que procura a Verdade, nossa alma anseia por Ela, mas devido as nossas tendências não conseguimos olhar com clareza para a Verdade e tentamos encontra-la em algum “lado. Mas se escolhemos um excluímos o outro, como acontece com os racionalistas e fideístas, eles sempre escolhem um lado e negam o outro. É claro que isso acontece porque há uma tensão entre eles, mas nem sempre foi assim, pois a Igreja instruída pela Verdade encarnada, é a responsável por desfazer a tensão e conciliar ambas e fazer com que o pêndulo retorne ao seu estado de repouso sem nenhuma perturbação e descolamento. 

Mas por que não volta naturalmente ao seu estado de repouso como um pêndulo físico? Isso se explica com o pecado primeiro, que já no inicio deslocou o pêndulo para um lado, e para que o mesmo voltasse ao seu estado original foi necessário que o próprio Criador o concertasse. Porém, Ele não faz sozinho, sendo também a humanidade responsável pelo deslocamento do mesmo. Essa mesma humanidade deve participar no concerto e, ao instituir sua Igreja, Cristo autoriza que Ela continue seu trabalho na Terra para que o pêndulo não mais se desloque. Logo, a Verdade não é uma escolha, ela deve ser acolhida sem ser escolhida, porque o mesmo Deus que se revela nas Escrituras é o mesmo Deus que Criou a natureza. Sendo Ele Deus, Ele não engana e não se engana, por isso a heresia se encontra na escolha, porque um herético é aquele que escolhe uma verdade aparente, ou seja, é apenas uma parte da Verdade. Mas, esse herético, ao escolher uma parte dela nega o restante da Verdade. Esse pecado se encontra próximo do Pecado contra o Espirito Santo, porque ao negar a Verdade por inteira, nega-se a própria salvação e automaticamente nega-se o perdão eterno.

Escrito por Jhonathan Taborda

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

A MEDIDA DO AMOR É AMAR SEM MEDIDAS

28 fevereiro 1


Quão grande é o seu amor por Cristo?

Aquele que se deu inteiramente por nós na Cruz merece todo o nosso amor, todo o nosso ser. Não há como amar sem se doar, e a doação a Deus não deve ter limites, pois, Deus não colocou nenhum limite para se doar a nós; tanto que se fez homem, para cumprir em plenitude o Santo Sacrifício.

O Evangelho de hoje (Mc 9, 41-50) revela o ápice dessa doação. Se quereis amar a Deus, nada havereis de querer mais do que passar a eternidade com Aquele que é o próprio amor, e se nada pode ultrapassar esse anseio, coisa alguma se imporá frente à isto, de modo que os limites se esvairão, a ponto de cortares uma mão, um pé, um braço e arrancar até os dois olhos. Quê importa a materialidade passageira dessa vida comparada a eternidade no Reino de Deus? As tristezas logo passarão e serão consoladas pelo Senhor, se não houver receio em renunciar à vãs alegrias.

Pequenas renúncias já são capazes de comprometer o bem-estar do homem. Mas quando são feitas com amor, os espinhos que perfuram a carne são capazes de exalar um doce e suave perfume, e a dor é transformada em amor. Não é fácil fazer como os santos fizeram, mas não podemos deixar de imitá-los, pois assemelhar-se á eles é tornar-se semelhante Àquele que se entregou por nós.

Nossas atitudes podem escandalizar nosso próximo, e sobre isso, Nosso Senhor é bem claro: “se alguém escandalizar um desses pequeninos que creem, melhor seria que fosse jogado no mar com uma pedra de moinho amarrada ao pescoço”. Nossos pecados podem escandalizar os nossos irmãos, aqueles que ainda são pequenos na fé, por isso, é necessário olharmos para nós e questionarmos: “Estou sendo espelho de Deus?”. Nossos pensamentos, atitudes, palavras e o nosso corpo de modo completo deve exalar o perfume do Espírito Santo.

Arrancar uma mão, um pé, um olho, às vezes significa fugir de más conversas e más companhias, desviar certos pensamentos impróprios, desviar os olhos de cenas inconvenientes, silenciar em momentos inadequados, cobrir o corpo com modéstia e pudor... Aquilo que vestimos, falamos e o modo que nos comportamos são capazes de levar junto de nós o outro a cair em pecado. Não sejais hipócritas, não é inocente aquele que leva o outro ao pecado, atentais ao que Jesus disse, ai daquele que cometer escândalo!

Pequenas e grande renúncias são necessárias. Os espinhos podem doer no início, mas não vos preocupeis, o Senhor mesmo encarregar-se-á de tornar os espinhos que perfuram vossa carne mais suaves, e o doce e suave perfume que surgirá será o do amor.

Não esqueçais: bem-aventurados os que que choram, os que sofrem perseguição, os que têm fome, os pobres de espírito... Nosso Senhor Jesus Cristo consolará todos os que sofrem em Seu Nome, e finalmente, Aquele que amou sem medidas será amado sem limites. 

"A medida do amor é amar sem medidas" Santo Agostinho

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

BREVE EXORTAÇÃO ÀS IDEOLOGIAS

20 fevereiro 0


Mais vale a ação benevolente do que a reclamação rigorosa! Atualmente, notamos “tradicionalistas” mais preocupados com a conduta das outras pessoas do que com o amor ao próximo. Querem uma Igreja que lhes sirva, no entanto, não querem servir a Igreja, e quando há uma pobre alma sedenta do amor de Cristo e o servindo no altar tudo o que essas víboras fazem é reclamar e destilar o seu veneno atacando mais uma vítima. Não sou “progressista”, tenho amor à Tradição, mas não me afeiçoo por esses grupos de palpiteiros que só sabem exigir a perfeição de uma humanidade imperfeita, são crianças egocêntricas e sua tarefa é reclamar e apontar o que está errado. Não obstante, não sujam suas mãos, querem uma pureza externa e um coração frio; estão “limpos”. Entendi que nesse percurso temporário que é a vida humana, o mínimo que se faz deve ser bem feito para Nosso Senhor Jesus Cristo, não reclamar e fazer tudo com amor, ser casto, pobre e obediente e amar o próximo mesmo quando ele te fere com o veneno de sua língua podre. Somos odiados e rejeitados pelas ideologias impregnadas dentro da Igreja... “Modernistas” que balbuciam línguas errantes, “tradicionalistas” acusadores e frios, heréticos e até mesmo apostatas. Mas tudo isso passa porque só Deus basta e sua Igreja até o fim dos tempos. Queria eu me localizar em algum grupo, mas sei que a Verdade não é uma escolha, porque se é a Verdade eu não preciso escolher, devo apenas acolher e obedecer a Aquele que morreu por mim!

Escrito por Jhonathan Taborda

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

O REI ESCONDIDO

12 fevereiro 0

Diante do altar, nas espécies do Pão e do Vinho,
Encontra-se o Rei da coroa de espinhos,
Revestido de esplendor e glória aos que enxergam além do véu,
Sendo levados como que ao céu.

Na indissociável união entre o presbitério e o calvário
Há um Deus que torna-se presença real,
Alimento espiritual,
Que é consequência direta do Santo Sacrifício.

Vivo na Igreja continua sua obra salvífica,
Com a finalidade de nos transformar e saciar,
E sobretudo, amar.

Amor que antecipa o paraíso,
Toca-nos em união íntima
Correndo o risco de fazer-se novamente vítima.

Escondido na aparência de pão,
O Rei escondido revela sua humildade,
Trazendo-nos o céu,
O qual chega a nós por meio de sua infinita Bondade.

Na perfeita comunhão,
É fonte de vigor,
Remédio da imortalidade,
Que dá vida ao coração.

Diante deste mistério de fé,
Do amor encarnado,
Toda reverência prestada é pouca,
Todo joelho dobrado é irrisório,
Toda adoração insuficiente.

Ao Santíssimo Sacramento,
Graças e louvores a todo momento! 


















Escrito por Beatriz Back

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

O AMOR DIVINO ENCARNADO: A SAGRADA EUCARISTIA COMO SACRAMENTO DE CARIDADE

01 fevereiro 0


“O amor Divino Encarnado: A Sagrada Eucaristia como sacramento de Caridade” é uma obra escrita pelo Cardeal Raymond Burke, publicado em 2017 pela Editora Ecclesiae. Esse livro trata-se de um tratado espiritual que resume o Magistério do Papa João Paulo II, em sua encíclica Ecclesia de Eucharistia, e do Papa Bento XVI em sua Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis. 

A matéria tratada neste livro é preciosíssima para a compreensão da Sagrada Eucaristia em plenitude. Ultrapassando a fronteira conceitual, estende-se á reflexões teológicas e filosóficas a respeito das relações existentes entre o Corpo de Cristo, a Santa Igreja, os Sacramentos, a Virgem Santíssima e a vida espiritual e pessoal do cristão, que deve ser moldada pela Comunhão com Cristo. É através da participação sacramental no Banquete Eucarístico que o cristão é capaz de melhor compreender o que fazer para evangelizar, em um mundo ateu, materialista e secular – missão tão defendida pelo Papa São João Paulo II.
A hóstia, que é alimento espiritual de nossas almas, é a nossa força e deve ser um sinal de esperança, como coloca o Papa:
“Nós sinais humildes do pão e do vinho transubstanciados no seu corpo e sangue, Cristo caminha conosco, como nossa força e viático, e torna-nos testemunhas de esperança para todos. Se a razão experimenta os seus limites diante deste mistério, o coração iluminado pela graça do Espírito Santo intui bem como comportar-se, estranhando-se na adoração e num amor sem limites” (Ecclesia de Eucharistia, n°62).
A primeira parte, após o prefácio e a introdução, é dedicada a reflexões sobre a Ecclesia de Eucharistia, encíclica que manifesta a Eucaristia como “fonte e centro da vida cristã”. Nessa seção, há um destaque para aquilo que é a Eucaristia e para a sua função na Igreja.

A verdade profunda que se esconde no Sacramento da Sagrada Eucaristia é “a sua inseparabilidade da Paixão, da Morte e da Ressurreição de Cristo”, que se encontra na Santa Missa, sacrífico do Calvário. Por isso, comungar não é simplesmente participar do Banquete Eucarístico, é “uma participação no sacrifício de Cristo”, pois, o sacrifício do Calvário e o sacrifício da Missa são indissociáveis. Para crer neste mistério de fé, é necessário ao cristão a verdadeira fé, que vê além do véu das espécies do pão e do vinho, para enxergar Nosso Senhor Jesus Cristo substancialmente presente nas espécies transubstanciadas pelo Sacerdote, que atua in persona Christi, em comunhão com o Espírito Santo.

A última Ceia, que é a primeira Eucaristia, continua a se repetir em cada Santa Missa celebrada pelo mundo, sustentando assim a unidade da Igreja, dos vários membros de Cristo. Ao comungar, tornamo-nos um só corpo com Cristo – Cabeça e membros, - portanto, nos unimos com todos os nossos irmãos e irmãos no mesmo amor.

Esta repetição da Última Ceia evidencia a apostolicidade da Eucaristia, a qual “chegou até nós através da sucessão ininterrupta do ministério apostólico”. O Sacramento da Ordem, instituído por Cristo antes de sua Paixão, preserva o sacrifício da Missa e permite a comunhão com Cristo a aqueles batizados que convergem com a fé Católica e estão aptos a receber a Sagrada Eucaristia. Para obter esta “mínima dignidade”, todos os esforços e toda reverência nunca é excessiva. Nada melhor do que recorrer àquela que é a “mulher eucarística”, Mãe de Deus, quem primeiro recebeu a Eucaristia. Através de sua maternidade eclesial e da escola de Seu Imaculado Coração, ela pode nos levar a ter uma verdadeira Comunhão com seu Filho e a oferecer uma perfeita ação de graças – inspirada nos moldes do Magnificat.

O Papa São João Paulo II ainda nos recorda da dignidade da celebração Eucarística, a qual deve ser inspirada na Última Ceia: simples e solene. “Ela é o modelo para os ritos que foram se desenvolvendo na Igreja ao longo dos séculos cristãos”, que por sinal, acabaram por sofrer alguns abusos pela criatividade e adaptação dos sacerdotes. O conteúdo dessa matéria foi muito bem exposto pelo Papa Emérito Bento XVI, em sua Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis, em que coloca a estrutura da celebração Eucarística, apresentando as exigências que devem ser respeitadas pelo Padre e, também, observando algumas dificuldades e problemas que ocorrem durante a Santa Missa, as quais surgiram após o Concílio Vaticano II (exemplo: inculturação).

Além disso, o Cardeal Ratzinger deixa claro o modo do cristão prosseguir para ter uma participação ativa, plena e frutuosa na Missa, que se resume em estar profundamente interiorizado, recolhido e em silêncio durante alguns momentos; e também em realizar jejum eucarístico e a confissão sacramental.

Toda esta obra, escrita pelo Cardeal Burke, chama a atenção para a verdade sobre a Sagrada Eucaristia, que é o Sacramento central da Igreja, sendo fonte e centro da vida cristã. O livro é capaz de conduzir o leitor cristão a compreender verdadeiramente Nosso Senhor sacramentado e a eficácia de sua comunhão, e a sentir-se levado a ter uma vida eucarística, de caridade perfeita.

Para finalizar, deixo-vos uma fala do Papa São João Paulo II, que exprime a verdadeira adoração que devemos ter diante de Nosso Senhor Jesus sacramento:
“Diante desta extraordinária realidade ficamos atônitos e abismados: como é grande a humildade condescendente com que Deus Se quis ligar ao homem! Se nos detemos comovidos diante do Presépio contemplando a Encarnação do Verbo, como exprimir o que se sente diante do altar onde, através das pobres mãos do sacerdote, Cristo torna presente no tempo o seu Sacrifício? Só nos resta ajoelhar e em silêncio adorar este mistério supremo da fé.” (São João Paulo II, Carta do Santo Padre aos Sacerdotes por ocasião da Quinta-feira Santa de 2004, 28 de março de 2004, n° 2).


terça-feira, 15 de janeiro de 2019

EQUILÍBRIO DA PERFEIÇÃO


É possível perceber pelo infinito céu que se estende sobre nossas cabeças, pelas cores vibrantes de tudo o que há de mais natural, pelo canto dos pássaros e pelos movimentos dos animais, pelo perfume das belas flores que florescem em uma espontaneidade quase mágica, que há vida. Vida que evidencia um ciclo que sobrevive de maneira misteriosa, e que nos arrasta ao ceticismo de que seu surgimento, movimento e perpetuidade, se fundamenta em algo tão simples, e paradoxalmente tão complexo, como as explicações da ciência.

A vida que nos é apresentada em seu devir nos dirige à transcendência dela própria, desvelando a majestade de seu Criador. Experiência ainda mais intensa é quando nos deparamos com o ser humano. Criatura inédita. Nele se encontra a essência do transcendente, que por vezes parece estar nebulosa e sombriamente escondida por algo que a impede de manifestar-se em sua plenitude. No entanto, expressivamente a singularidade da vida se encontra ali, no mais íntimo do homem: na sua inteligência e vontade, na sua racionalidade e espiritualidade. Uma união que não está presente em qualquer outro lugar debaixo do céu e nos limites da finitude. Apenas no ser humano, criatura moldada com amor infinito pelas mãos do Oleiro.

Se sobrepõe, todavia, um grande porém, quando a pureza imaculada da obra criada é manchada pela soberba de Eva, ao avistar uma árvore que a fez desejar para si um fruto proibido. Grande tragédia, a qual implementa a revolta da razão e inteligência humana contra o seu próprio Criador. Surgem os vícios, a perversidade, a malícia, a iniquidade, a desumanidade. Humanidade que se despedaça, rompendo o equilíbrio da perfeição, entre o que é corpóreo e o que é espiritual.

Grande reviravolta ergue-se séculos depois, quando a Nova Eva, ao avistar a árvore da Cruz, não deseja para si o seu fruto, - que também é o fruto Bendito de seu ventre – mas o entrega inteiramente a Deus. Daquela árvore surge o fruto redentor, capaz de destruir toda espécie de iniquidade e desordem humana. Fruto que lava e purifica a miséria humana adquirida no pecado, capaz de fazer brotar toda espécie de semente virtuosa, na qual resplandece a beleza originária da obra criada.

Este fruto Bendito dissipa a névoa que se sobrepõe na bela e mais singular obra criada, restabelecendo a vida do espírito em equilíbrio à vida dos sentidos, daqueles que decidem-se tornar solos férteis, terrenos fecundos para nascer a árvore da vida – o amor. 


Beatriz Back

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

ATÉ QUANDO?

27 fevereiro 2


No princípio era o Amor, e o Amor se rebaixou ao que era finito para doar-se a si mesmo pelos que eram finitos, libertando-os do fim da morte ao abrir-lhes a porta para a eternidade, para uma eterna comunhão de amor com Ele. A porta está aberta, e Ele nos chama: "Vinde até mim!". E embora sua proposta seja de máxima excelência e satisfação, muitas vezes a imperfeição do homem o induz a recusá-la.
Até quando?
Até quando o homem irá recusar a doce bebida do amor, para tomar o cálice de sua própria destruição? Até quando o homem irá aceitar sujeitar-se à uma vida pobre e materialista, quando lhes é oferecido o paraíso? Até quando o homem beberá da alegria em fontes mundanas enquanto lhes é oferecido beber da alegria diretamente da fonte da alegria? Até quando o homem procurará o amor nas coisas visíveis, quando ele está nas coisas invisíveis e perenes? Até quando o homem manter-se-á diante da porta? O que o impede de entrar?
Mesmo quando lhes é dado a graça de ver e entender a maior prova de amor que já lhe foi dada, o homem recusa-se a aceitá-la por inteiro. O que foi realizado jamais será apagado. A porta que foi aberta jamais será fechada. Porém, o homem tem de decidir passar por ela.
Quem abriu a porta os espera do lado de dentro, no entanto, seu amor é tão grandioso que Ele vem buscar os homens no meio do caminho e levá-los ao que lhes foi preparado. Seu convite é doce, e embora seja como uma brisa suave e um vento impetuoso, ainda chega aos seus ouvidos a triste e firme resposta de recusa, como outrora o foi e deu início a dolorosa separação.
No início não havia o "lado de fora", até abrirem uma porta e fechá-la, levando através dela para fora todos os filhos, exceto um. Dispersaram-se todas as ovelhas do rebanho, até que, o Filho, o Cordeiro, foi imolado para a união de todos. Ele, com seu sacrifício, abre a porta que durante muito tempo estivera fechada e trancada. Desde então, muitos passaram através dela, voltando ao seu verdadeiro lar. Mas muitos ainda estão do lado de fora, ludibriados com o que encontraram deste outro lado. Já outros, estão perdidos e não encontram o caminho de volta para casa. Quando não lhes vem o ceticismo a fazê-los duvidar da casa, suas manchas os fazem recusar o convite. Outros estão feridos, mas principalmente à estes é dado a dádiva de chegarem até a casa. Não por méritos próprios, mas por sua condição os dar o privilégio de receber um auxílio Daquele que tem um coração inteiramente misericordioso.
Até quando continuarão do lado de fora?
O Perfeito sofreu pelos imperfeitos, o Justo sofreu pelos injustos, o Santo sofreu pelos pecadores. E os imperfeitos, injustos e pecadores não reconhecem seu amor. Mas o seu grandioso amor, que o levou a morte, não morreu na cruz. Seu amor nunca morreu, eterno ele é, e incorruptível ele é. Seu amor brota de uma fonte que jamais deixa de jorrar, mas que está sempre se derramando. E quão abençoados e felizes são aqueles lavados pela água que jorra dessa fonte, pois é a água viva, a qual daquele que dela beber jamais terá sede. O amor que jorra dessa fonte sacia o coração humano de forma perpétua e completa. E Aquele de quem vem este amor que se derrama, não desiste de sofrer novamente o calvário para trazer as ovelhas perdidas de volta ao lar. Se restasse apenas uma ovelha, não recusaria beber do cálice para trazê-la de volta ao rebanho. Quão grandioso e espantoso é o seu amor, que morre para dar a vida, que tem misericórdia infinita! Amor que não desiste, mas que nada impõe. Amor que tem pressa, mas espera. Amor que é abundante e constrange.
Até quando resistirão a beberem da fonte? Até quando recusarão as delícias da eternidade para desfrutarem de imundícies terrenas? No entanto, quem manter-se-á firme e com o coração endurecido, quando diante de sua própria miséria reconhecer a sublime e irradiante força da verdadeira Caridade?!
Escrito por Beatriz Back

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